quarta-feira, 26 de agosto de 2015

Brasil: Taxa de inadimplência no Brasil atinge nível mais alto em dois anos,mostra BC


Calote cresceu até no crédito imobiliário. Juro bancário para pessoa física também bate recorde

por GABRIELA VALENTE

 Por causa da crise econômica e alta do desemprego, a inadimplência de famílias e empresas aumentou em julho. Até as prestações da casa própria, o brasileiro tem deixado de pagar. De acordo com o Banco Central, a taxa de calote das famílias aumentou 0,2 ponto percentual e chegou a 3,8% em todos os tipos de crédito, ou seja, com recursos livres ou direcionados para alguns usos específicos. A inadimplência dos financiamentos imobiliários subiu de 1,8% para 1,9%. Se considerado apenas o segmento de recursos livres, o calote subiu a 4,8% em julho, o patamar mais alto em dois anos.

A taxa é a maior desde o mesmo mês de 2013, quando atingiu 4,84%. Em junho, a inadimplência neste segmento, em que as instituições financeiras definem as taxas de juros livremente, havia sido de 4,6%, segundo dado revisado pelo BC.

Outras modalidades também registraram uma alta do calote. Empréstimos para aquisição de bens, rotativo do cartão de crédito, crédito pessoal e cheque especial têm mais parcelas em aberto.

As empresas também tem dificuldade de pagar as dívidas. O calote aumento 0,1 ponto percentual e ficou em 2,4%. No segmento de recursos livres, o crescimento da inadimplência em julho foi maior entre empresas, com o índice passando a 4,1%, contra 3,9% em junho. Entre pessoas físicas, também houve avanço no período, a 5,4%, contra 5,3%.

SALDO DE CRÉDITO DESACELEROU

A maior inadimplência, que são atrasos acima de 90 dias nos pagamentos de dívidas, tem como pano de fundo o cenário de deterioração do mercado de trabalho, baixo crescimento econômico e inflação acima de 9% no acumulado em 12 meses, muito superior ao centro da meta do governo — de 4,5% pelo IPCA, com margem de dois pontos para mais ou para menos.

Reagindo ao avanço persistente dos preços, o Comitê de Política Monetária (Copom) do BC aumentou a Selic em 0,5 ponto percentual no fim de julho, a 14,25% ao ano, patamar mais elevado em nove anos.

No cenário atual, os bancos estão mais reticentes em emprestar e o crédito no Brasil desacelerou. O saldo atingiu R$ 3,1 trilhões em julho, com expansões de 0,3% no mês e 9,9% em doze meses (comparativamente a 0,6% e 9,8% em junho). Já a relação crédito/PIB caiu de 54,6%, ante 54,5% no mês. O setor varejista é o que mais tem se retraído, segundo o BC.

ENDIVIDAMENTO DAS FAMÍLIAS

A taxa média de juros das operações de crédito do sistema financeiro aumentou 0,8 ponto percentual no mês passado e chegou a 28,4% ao ano. Somente para pessoas físicas, o custo médio subiu 0,9 ponto percentual e está em 36,3% ao ano. Se for contar apenas recursos livres, os juros pagos em média pelas famílias chegaram a nada menos que 59,5% ao ano: alta de 1,1 ponto percentual mês e recorde da série histórica, iniciada em 2011.

O spread bancário — diferença entre o custo de captação e a taxa efetivamente cobrada pelos bancos ao consumidor final — seguiu igual toada, indo a 31,4 pontos percentuais no mesmo segmento, ante 30,6 pontos percentuais em junho.

O BC também divulgou que o endividamento das famílias em junho, dado mais recente disponível, caiu a 45,8%, contra 46,1% em maio. O percentual considera o impacto de financiamentos imobiliários.

Excluído esse efeito, o endividamento das famílias recuou para 27,1% em junho, contra 27,4% em maio. Já o comprometimento de renda considerando financiamentos imobiliários manteve-se em junho, a 21,9%.

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