sábado, 29 de agosto de 2015

Acre: Mestre em saúde pública da UNINORTE cria cartilha para trabalhadores de casas de farinha do Acre


Depois de desenvolver a pioneira cartilha “Casas de Farinha": conhecer os riscos à saúde do trabalhador, visando o repensar de uma prática saudável”, aprofessora da Uninorte, mestre em saúde pública Luciana Peniche, recebe convite para expor trabalho no Tocantins.

Dados não oficiais garantem que existem, só no município de Rio Branco, cerca de 600 casas de farinha. Em todo estado, entre as casas ‘modernizadas e tradicionais’, como são conhecidas, somam mais de 2000. Com apoio da Uninorte e Governo do Estado do Acre através da Secretaria Estadual de Produção Familiar – SEAPROF, o estado acreano pode contar com uma pesquisa inédita sobre o trabalho nas casas de farinha de mandioca. Fruto de pesquisa de Mestrado em Saúde Pública, com ênfase em Vigilância em Saúde do Trabalhador – Ensp./Fiocruz, elaborada e coordenada pela mestre em Saúde Pública Luciana Peniche, a cartilha “Casas de Farinha: conhecer os riscos à saúde do trabalhador, visando o repensar de uma prática saudável”, foi  realizada em duas casas de farinha no Município de Rio Branco-AC, no ano de 2013 e 2014, tendo por objetivo conhecer o processo de trabalho na produção de farinha de mandioca.                                                  

                         Profissional da pedagogia e fisioterapia, a professora Luciana afirma que, as qualificações profissionais deram o suporte perceptivo necessário para elaborar a cartilha. “Os estudos existentes das casas de farinha eram voltados para estruturas, instrumentos e equipamentos para produção da farinha de mandioca, deixando uma lacuna quanto ao processo de trabalho e a saúde do trabalhador”, afirma a professora.

Tanto a dissertação da mestre quanto a cartilha são trabalhos pioneiros, tendo em vista o histórico de produção de farinha de mandioca em nosso estado. “No decorrer da pesquisa houve algumas surpresas devido a importância da produção familiar/artesanal de farinha no contexto socioeconômico do Acre. Os trabalhadores estão carentes quantos as informações sobre os riscos ambientais, ergonômicos e de acidentes a que estão expostos”, esclarece. A cartilha está em processo de edição e validação, e em parceria com Uninorte, a SEAPROF, desde o início das pesquisas, forneceu suporte técnico para a realização do trabalho. “O aval e/ou sugestões dos trabalhadores enriquece o processo e demonstra o respeito pelo produtor dando voz ao conhecimento tradicional e seus saberes, por isso, a validação nada mais é do que ouvi-los quanto ao resultado do trabalho. A atuação da coordenadora da cadeia produtiva da mandioca do Estado (SEAPROF) Palmira Oliveira, foi de suma importância na conexão entre mim e os trabalhadores, ou seja, um trabalho em parceria”, garante Luciana.                                                                  O Estado do Tocantins é considerado, dentro dos parâmetros táticos na saúde do trabalhador, um referencial de pesquisa e práticas com resultados exitosos na região Norte. Convidada para troca de experiências e intercâmbio de informações no Centro de Referência em Saúde do Trabalhador – CEREST/TO, - no objetivo de criar um ambiente de parcerias no que tange a saúde dos trabalhadores e trabalhadoras-, a professora não mediu esforços para contribuir com as informações oriundas da pesquisa. “Ir até o Tocantins foi uma experiência impar, já que pude conhecer a realidade de outros produtores de farinha de mandioca, além de confirmar que, quanto aos riscos a saúde do trabalhador, os processos de cuidados estão mais avançados. Mas mesmo estando um pouco mais adiantados que o Acre percebi a carência do olhar mais cuidadoso e diferenciado quanto aos cuidados a saúde dos trabalhadores das casas de farinha” Explica a mestre.                                                                                    Toda a pesquisa vislumbrou a figura dos trabalhadores e trabalhadoras como protagonistas do processo de trabalho e a construção da cartilha.  A ideia é que esse trabalho subsidie outros trabalhos voltados à saúde do trabalhador. “Meu objetivo também é estimular outras pesquisas voltadas ao tema da saúde do trabalhador”, finaliza a pesquisadora.                                                                                              Agora, a professora que ministra a disciplina ‘ fisioterapia na saúde do trabalhador’ das turmas do 6operíodo de fisioterapia da Uninorte, está organizando uma feira de saúde do trabalhador, que será realizada na zona rural, nos dois polos de onde a pesquisa foi realizada, localizados no Ramal Novo Horizonte (Bem-Fica) e no Ramal Liberdade, no Belo Jardim. O evento contará com a participação dos cursos de psicologia, direito, enfermagem, odontologia, medicina com o propósito de oportunizar aos alunos um estabelecimento de relação teoria/prática, favorecendo sua formação.

Nenhum comentário:

Postar um comentário