sábado, 17 de outubro de 2015

Governo do AC descumpre ordem judicial e paciente com problema renal avançado depende da caridade alheia


O caso acontece em Cruzeiro do Sul. Gracilene Correia de Menezes, de 26 anos de idade sofre desde de 2004 de Lupus (uma doença autoimune que pode afetar principalmente a pele, articulações, rins, cérebro e também todos os demais órgãos.

Gracilene teve os rins atingidos pela doença e consequentemente passou a ter retenção de líquidos devido a perda da função renal, o que lhe trouxe diversos problemas de saúde como febre, dores nas articulações, falta de ar e água no pulmão.
Ao procurar uma reumatologista na época, a jovem passou a tomar o medicamento Ciclofosfamida que tinha ação parecida com uma quimioterapia, onde houve queda de cabelo dentre outros sintomas. Em 2011, uma nova reumatologista foi procurada por Gracilene em Rio Branco (dra Adriana Marinho) devido a mesma estar com o quadro da doença agravado. Com isso um outro remédio chamado Micofenolato de Mofetila lhe foi indicado, o que proporcionou a paciente uma sensação de bem estar e controle da doença. Mas a liberação desse remédio só foi concedida a Gracilene após ela entrar na justiça .

Tudo parecia ir bem, quando Gracilene Correia recebeu no dia 21 de agosto de 2015 a noticia de que a farmácia da secretaria estadual de saúde não liberaria mais o medicamento sob o argumento que somente pacientes que fazem transplante de rins podem ter acesso e que o cide da doença não abrange esse remédio.
Gracilene então no mesmo dia procurou o Ministério Público, na pessoa do promotor Wendy Takao em Cruzeiro do Sul que orientou a secretaria de saúde a ceder o medicamento, o que não foi aceito pelo estado do Acre.
O poder Judiciário de Czs foi acionado pelo MP que apelava por uma determinação judicial para que o medicamento fosse cedido a paciente, o que acabou sendo acatado esta semana sob pena de multa ao estado no valor de mil reais dia através de uma ação civil pública impetrada pelo juiz da primeira vara cível de Cruzeiro do Sul Erik da Fonseca.
“Eu só vou estar tranqüila quando estiver com o meu remédio nas mãos. Não posso comprá-lo, pois é muito caro. Na rede particular, uma caixa para 30 dias custa 2.700 reais. Preciso tomar cinco pílulas por dia. Ainda temo que o estado recorra da decisão tomada pelo juiz aqui de Cruzeiro do Sul. Temo ficar submetida a hemodiálise,” enfatizou Gracilene.
A jovem hoje encontra-se em Rio Branco, onde passou por uma biopsia no rim para identificar a qualidade de suas funções.
O remédio acabou no dia 20 de setembro. Ela só não parou o tratamento porque amigos em Rio Branco conseguiram algumas cartelas, mas o que tem só dá para mais 10 dias. Ela agora espera que o estado cumpra a decisão judicial.
“É um direito meu. Não estou pedindo luxo. Apenas quero viver”, desabafou Gracilene.

Nenhum comentário:

Postar um comentário